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Ontem e amanhã

Não cabe a mim julgar o poder dos saberes que são trazidos pelo tempo
Tampouco acredito nessa espécie de determinismo temporal
Há espíritos que transcendem sua época
Outros recrudescem, revolvem o que há de mais arcaico e rudimentar em termos de humanidade

Nesta ou naquela esquina, ocorrem os novos encontros e esquemas
Mesmo que nem se lembrem de considerar, há sempre o espaço do acaso
Invenção e aleatoriedade, destruição e criação, caos e ordem
Naquilo que se sonhou e no que se vislumbrará

Penso nas contribuições, na escalada e na superação
Em quantas Olgas, quantos Sócrates e quantos Walters ainda teremos
Quanto sofrimento, quanta ardência e quanta resistência
Até o momento da consciência coletiva se elevar
Ao ponto de dispensarmos certas amarras, que hoje inibem nosso caminhar

Involucro, simulacro, paralelismos à parte
Sentido positivo (Jovem Hegel) que faz se questionar
Olhar para si será sempre um elemento difícil
Num universo que tardou, postergou, e continua a adiar seu despertar

Dói mais ainda, quando se busca auxiliar
É ai que transborda, que machuca, que se entrava
Mudar o outro? Alterar? Em que direção?
Não seria esta uma ousadia,
Perca e ataque considerável contra a autonomia
Dentro do que se entende pela necessidade e respeito pela liberdade?

Dos vícios comuns, nos embebedamos
Saudamos o amanhã, conscientes de nossas manchas de vinho
Aquele que ainda não percebeu isto, padecerá
Envenenado em sua própria toxina
Inimigo de si mesmo, ocultador de seu cadáver
No presente e fatídico baile de máscaras globalizado

Multiplique por dois, divida por cinco
Cada qual possui sua equação oculta
Aquela espécie de fórmula para a compensação das ametropias provenientes de sua específica e singular cultura
Que, aliás, muitos passarão a vida
Buscando negar

Não tenha medo do mergulho profundo
Do se encontrar, do desmantelar
Essa religação, nova fonte de contato, capaz de assustar e impressionar
E acima de tudo
De te melhorar, de recuperar sua autoestima, de te lembrar o quanto era bom, por vezes,
Simplesmente gerar o movimento
e acreditar

Afinal, não existe maior arrependimento
Do que aquele sobre o que não se quis fazer ou enxergar
Momento, imersão e ação
Criam nada menos do que os alicerces da ponte
Que atravessa o medo, que te lembra de sua humanidade
Reempoderando a ti mesmo,
permitindo se superar

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