Yumi

Não sei quem vai ter paciência de ler haha

Texto extremamente grande, mas um desabafo que guardo a anos e eu não aguento mais

Nunca fui uma pessoa muito confiante, mas sempre tive a sensação de que era uma pessoa de muito bom coração. Na época da escola eu sempre fui muito zoada por ser acima do peso, e nunca me encaixava com nenhum grupo por ser "geek" (Hoje é moda, mas alguns anos atrás menina gostar disso era zoada). E tive alguns traumas na minha auto estima por causa dessas zoações, entre elas: uma vez um menino popular da escola fingiu gostar de mim durante um ano inteiro esperando a brecha de quando eu aceitaria ir no cinema com ele, e óbvio que eu sempre recusava esperando o pior. Até que depois de uns meses eu aceitei, e pronto, fui muito zoada pois era brincadeira, eles queriam ver quanto tempo eu demoraria para aceitar sair com ele, eles falavam: "Você acha que ele iria querer sair com uma gorda que nem você?", coisas do tipo, me batiam também. Enfim, contei isso para explicar que depois desses acontecimentos eu entrei em estado de negação de acreditar que alguém de fato gostaria de mim pelo jeito que eu era.

Passaram anos, e eu fui emagrecendo, ficando bonita, troquei de escola, a cultura geek começou a virar moda, mas eu ainda me via como a pessoa de antes, entrava em estado de negação de que alguém gostaria de mim. Já era quase fim do ensino médio (colegial) e eu rejeitava todos os meninos pelos meus traumas, até que finalmente tive o meu primeiro beijo (inesperado), e comecei a entender que talvez as pessoas gostassem de mim da forma que eu sou, digo tanto no sentido de personalidade quanto de aparência. E isso rompeu a minha barreira que eu tinha construído, e tive uns anos do meu maior ápice de confiança e auto estima alta, me sentia tão poderosa e inteligente. Comecei a ter vários amigos, sempre tinha alguém com quem conversasse, me sentia muito querida por todos, e o que mais confortava e que apesar de auto estima alta, eu não pisava em ninguém e era uma pessoa boa.

Simultaneamente a todos os acontecimentos que citei a cima a minha família foi se desestruturando gradualmente, minha irmã fugiu de casa quando eu tinha uns 15 anos, minha mãe fugiu de casa quando eu tinha uns 16/17 anos, e fiquei com o meu pai, na qual estava em estado terminal de câncer, e eu não tinha nenhum outro familiar com quem morar. Vale ressaltar que o meu pai foi a pessoa mais importante da minha vida, já que ele me ensinou a ser uma pessoa ética e resiliente, de nunca ficar se lamentando, de correr atrás de tudo, de nunca depender de ninguém, etc. E quando eu fiz 18 anos, o meu pai me expulsou de casa, na época eu não entendia muito bem pq ele teria feito isso, até fiquei com raiva e triste, eu não tinha para onde ir. Mas hoje eu vejo que ele fez isso pois sabia que a sua morte estava próxima, e que quando ele morresse eu não teria com quem contar, já que não fazíamos a mínima ideia de onde a minha irmã e mãe moravam (E a minha irmã me odiava, hoje não mais).

Não tinha onde morar então na época namorava um menino, na qual a mãe dele me amava. Então ela me acolheu e vivi com eles por 3 meses. Sou muito grata por ela ter me ajudado, mas confesso que foram longos 3 meses difíceis, já que nesse período terminei com o filho dela, por perceber que ele não era a pessoa certa. Logo em seguida me mudei para a casa da minha bisa-vó, e em troca de um quarto combinei com as filhas dela que ajudaria a cuidar dela, já que a minha bisa-vó era uma senhora cega de cama. Então eu trocava as fraldas dela, dava banho, fazia comida, e ao mesmo tempo estava fazendo um curso técnico em Química e estagiava. Não vou explicar tudo nos mínimos detalhes, mas aconteceram situações desagradáveis após a morte da minha bisa-vó e eu tinha que me retirar da casa, e o meu salário era de R$400,00 por mês, e não conseguiria nem alugar um quarto com isso. Então como as pessoas do meu estágio gostavam muito de mim, inclusive o meu chefe, ele me disse que eu poderia morar nos fundos do trabalho por 1 mês e que ele aumentaria o meu salário para R$600,00 por mês, e com esse dinheiro eu deveria procurar um quarto para alugar. Me mudei para o trabalho, e voltando do metrô conheci um menino e começamos a conversar, e ele disse que morava em uma pensão ali próximo, e meu deu o contato da proprietária. Liguei e ela disse que não aceitava meninas, mas que eu deveria ir lá para ver se ela gostava de mim. Fui no dia seguinte ver o quarto, aluguei, ela gostou tanto de mim que fez um descontão para mim, pois expliquei a minha situação, e resumo desse trecho da história: Ela foi como uma mãe para mim enquanto eu morei na pensão dela. Nessa época o meu pai faleceu... Ela via que eu passava fome, eu comprava um pacote de macarrão para passar a semana, por falta de dinheiro, e de noite ela sempre deixava uma marmitinha com um bilhete para eu comer, sempre me aconselhava em situações difíceis, e morei lá até conseguir ingressar na melhor Universidade Pública da América Latina, que até hoje não sei como eu consegui passar sem cursinho, eu tinha pouco tempo por dia para estudar, eu sempre via 2 - 3 vídeos aulas no youtube quando acordava.

Fiquei super feliz por ter passado, e eu voltaria a ter uma vida """normal"""" por conviver com pessoas da minha idade e poder construir a minha vida com qualidade, e ainda mais pq a Universidade me paga um valor grande de bolsa, na qual consigo pagar todas as minhas despesas mensais. E estava ainda mais animada, pois nessa época difícil que eu vivi eu me sentia muito sozinha. Enquanto eu via todos os meus amigos, fazendo coisas normais como: almoço de família no domingo, tirando carta de motorista, trabalhando e conseguindo juntar o seu próprio dinheiro, tendo coisas simples de necessidade básicas (eu sei que todos passavam algum tipo de dificuldade, mas eu estava tao mas tao fodida que não tinha tempo e nem dinheiro para sair com eles).

"Legal! Agora estou na Faculdade dos meus sonhos, vou ter vários amigos." Sqn
Percebi que depois de todas as experiências que passei, tinha acabado me tornando uma pessoa mais rígida, responsável, crítica, ou seja: chatona. Eu não escrevi nem metade do que passei, mas juntando tudo, muitas pessoas tentaram me apunhalar pelas costas e tirar proveito de mim, então nesse meio tempo aprendi a me defender sozinha. E adivinhem quem eram a maioria das pessoas da faculdade??????? Adolescentes que tinham acabado de sair do ensino médio, fazendo cursinho, com carro, privilegiados. Na primeira semana de aula como eu estava na defensiva, confesso que me fechei de todos, e fui até escrota de julga-los. Então descobri que a Universidade oferecia terapia psicológica e psiquiatra de graça, e eu pensei que seria bom fazer para eu voltar a ser uma pessoa mais de boa, desencanada.

Voltei a ter contato com os meus amigos do colegial, e acabei brigando com todos, cada um por um motivo diferente, mas em geral devido a conduta. Muitas vezes eles tinham condutas que eu não apoiava, que era zoar alguém, fazer alguma maldade, agir de forma antiética... Eu me afastei mas não me senti sozinha, já que estava em uma Universidade cheio de pessoas novas para conhecer, e eu estava abrindo o meu coração, e ressalto que nesse período eu estava me sentindo muito bonita. O pessoal da faculdade foram bem legais comigos, me senti muito acolhida, porém tem a questão de que eles estão em uma fase, acredito que seja uma fase, de pensamentos muito fúteis e irresponsáveis. Não dão valor para a faculdade, sendo que ela é financiada pela população brasileira, eles deveriam ter o mínimo de respeito. O resumo do dia dia da maioria é: eles usam muitas drogas, só pensam em festa festa festa, só ficam conversando sobre sexo e pessoas que ficaram, atléticas e as vezes estudam... Então eu não briguei com o pessoal e nem nada do tipo, mas percebi que talvez eu não tivesse encontrado um grupo que eu me identificasse mais, pensei: "Ah, não deve ser tão difícil ter um grupinho aqui na facul que gosta de cultura geek, é mais responsável, e de boa". PIOR QUE NÃO ACHEI NINGUÉM NINGUÉM. Todos os meninos que conheci que eram geeks eu não conseguia manter a amizade pq queriam ficar comigo, e as únicas poucas meninas que tinham eram super malvadas, no sentido de se acharem superiores a todos e brincarem com os sentimentos dos meninos. Então eu pensei: "Ah, não preciso de um grupo com os gostos muitos parecidos, eu só preciso de pessoas do bem". E todas as pessoas do bem que eu tentei criar um vínculo de amizade, ou não era do bem e eu quebrei a cara, ou as pessoas do bem tem uma vida voltada exclusivamente para estudar e voltar para a cidade natal, então só vejo elas na Faculdade. Tem um adendo de que por eu ser ética e não admitir pessoas folgadas e irresponsáveis, eu criei muitas inimizades na faculdade, por falar quando achava que não estava certo, eu não faltava com respeito e nem nada do tipo, e mencionava esse tipo de conduta somente em ambientes profissionais e educacionais, mas até em esses ambientes os estudantes são folgados e algumas pessoas levaram na pessoal. Eu tentei pedir desculpas, mas agora sou vista como uma pessoa rígida e egoísta por alguns grupos da faculdade. E ainda para complementar mais a história, eu ando engordando de novo, não me sinto mais bonita, não tenho dinheiro para fazer academia, e já tentei fazer exercícios em casa mas me sinto totalmente desmotivada.
Resumo da história: Não me sinto mais uma pessoa boa, minha auto estima está baixa novamente, acabei sem amigos, me sinto extremamente solitária, não consigo mais exercer meus hobbies preferidos por falta de dinheiro. Eu queria muito ter amigos de boa, sem complicações e condutas ruins, eu sei que todos erram e eu juro que não fica enchendo o saco das pessoas por elas serem malvadas, eu sempre dou um toque ou outro mas a maioria das pessoas da minha idade leva como um insulto... E com tudo isso minhas paranoias sobre auto estima estão voltando, e eu estou criando uma barreira novamente. Com todos os acontecimentos sinto que me tornei, talvez uma pessoa amarga, eu estou tentando ser mais flexível, mas em algumas situações é inevitável não reagir.

Sei que posso estar reclamando de barriga cheia, sou extremamente grata por ter alimento para comer, por ter uma casa onde morar, por ter condição financeira de me manter, ter acesso aos estudos de qualidade, ter saúde física.... Mas ando extremamente triste por não ter amigos com quem conversar, ou ter uma noite de filme, jogar um vídeo game, fazer um jantar/almoço, ir passear....

1 Respostas
  • Terminei de ler !!!! vamos lá!!!

    Compreendo muito bem o seu lado, a diferença e que eu cortei laço com todos; eu passei 2 semana sem contato com ninguém, isso me machucou muito, minha depressão ficou pior que eu imaginei e a solução que achava era na verdade a pior escolha. sem ninguém para dizer que aquilo estava me machucando eu fui me machucando mais e mais. resumindo: você está se sentindo só, você quer alguém para ouvir sua dor, te dizer coisas positivas e admita, mesmo que seja coisas negativas, você quer ouvir!!

    Mas entenda, você não está sozinha, estamos aqui para ouvir cada desabafo seu, seja um livro ou uma poesia, vamos ler, e se ninguém ler, adivinha =3 eu vou! (afinal eu sou ninguém hahahhah #O_Original).

    Em relação a o que você passou, infelizmente temos aos montes pessoas assim, pessoas que iram te enganar, mentir e falar coisas que iram te machucar mais e mais, só seja forte. não por mim nem por ninguém, seja forte por você!

    Você não contou onde está morando agora.... fiquei curioso, ainda está na republica* ? alugou uma casa? construiu uma vida ? TERMINA A HISTORIAAaaaaaaaaaaaaaaa kkkkkj

    Seja como for, estou aqui para te ouvir e te ajudar, e acredito que assim como eu, todos aqui estão também. força.

    u.u Eu financio a sua faculdade hahhaha então me de orgulho !

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