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25 Atos (Fuja)

Quanto mais corre, mais as pedras e os galhos machucam os seus pés descalços. Lucy corre, e não faz ideia de quanto tempo faz, desde que saiu daquele lugar. Ela tem medo de parar e a pegarem novamente, então tenta não pensar na dor dos seus pés, nem no seu cansaço. Ora, falta-lhe o fôlego, o ar. Ela respira fundo e olha para trás, vendo toda escuridão da noite e os sons dos mistérios entre as árvores. Isso não a assusta. O que a assusta é imaginar que ela volte para onde acabara de sair.
Uma chuva resolve surgir, atrapalhando ainda mais a fuga. Mas Lucy não desiste, mesmo tropeçando em algumas pedras e escorregando em alguns caminhos lisos.
Lucy finalmente consegue ouvir som de carro por perto. Ela corre mais rápido que consegue até chegar à estrada, mas está tão exausta que seus pés mal conseguem sustentar o corpo. Um carro se aproxima, e Lucy desaba ao chão, conseguindo ver os faróis do veículo. Os pingos d’águas borram suas vistas e seus olhos se fecham, tornando tudo escuro e silencioso.
— Ela vai ficar bem? — Pergunta uma voz.
— Sim, vai. Ela só precisa repousar e continuar o tratamento.
— Obrigado, doutor.
— Se precisarem de mim, é só me chamarem. Eu venho amanhã para ver como ela está.
— Está bem.
Lucy abre os olhos lentamente após as vozes cessarem. Ela olha em volta e não reconhece o lugar, o que lhe dá um enorme alívio. Agora está livre.
Um homem se aproxima de sua cama, curioso e com os olhos terrivelmente claros, mas sem vida, a observando.
— Consegue me ouvir? Fala a minha língua? — Ele diz.
— Sim... — Lucy balbucia.
— Como se sente?
— Bem... — Ela tenta se levantar da cama, mas sente todo o seu corpo dolorido e desiste. — Desculpe, mas quem é você?
— Eu te encontrei na estrada. Te trouxe para cá, porque era mais perto, mas posso leva-la ao hospital, se desejar.
— Estou... na sua casa?
— Está.
O homem é alto. Seus cabelos são escuros e estão despenteados. Seus olhos é o que mais chama a atenção, incrivelmente verdes claros, como o mar da Grécia que ela visitou há alguns anos atrás, com sua irmã mais velha, Gabriella.
— Bom, descanse um pouco. Se precisar de algo, as meninas vão lhe atender.
— Meninas?
— As mulheres da casa, empregadas, como seja.
— Certo. Obrigada.
— Como você se chama? Quer que eu entre em contato com alguém, algum familiar, amigo?
Lucy balança a cabeça, num frenético não. Ele não pode entrar em contato com ninguém, e ninguém pode saber onde ela está. Aqueles homens a encontrariam novamente.
— Tudo bem. Se precisar de alguma coisa, já sabe Eu estarei no quarto no fim do corredor.
O estranho homem de olhos claros deixa o recinto, e Lucy passeia com os seus olhos pelo quarto, e nota a bela decoração e os enfeites de mesa. Ela se lembra de sua mãe, quando iam juntas comprar enfeites numa lojinha de esquina. A saudade da sua família volta a apertar-lhe o peito. Não há o que possa fazer para mudar a situação, apenas fugir e não ser encontrada.


Trecho do livro 25 Atos, disponível apenas na Hinovel.
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